CETESB aperfeiçoa monitoramento da qualidade das águas do mar

O Boletim de Balneabilidade das Praias do último dia 13 de novembro indicou que cerca de 50% dos 148 pontos de avaliação, localizados nas 128 praias do litoral paulista, apresentavam qualidade imprópria para banho. O dado surpreendeu por ocorrer em uma época do ano em que ainda não há um aumento significativo na freqüência de turistas na região.

A explicação se encontra na ocorrência de chuvas fortes nas últimas semanas, depois de um longo período de estiagem, fazendo com que os detritos acumulados nas ruas e córregos fosse carreados para as praias, aumentando os índices de bactérias fecais nas amostras coletadas.

Esta, no entanto, não é a única explicação e, embora os técnicos acreditem que a tendência seja de queda nas próximas semanas e os índices se mantenham mais baixos até o início da temporada de férias, a expectativa é de que mais praias venham a ser classificadas como impróprias para banho. Isso porque a CETESB passou a adotar o indicador mais restritivo previsto na Legislação Conama n.º 274/2000, a bactéria enterococos, considerada mais adequada para avaliação de riscos à saúde oriundos da exposição à água do mar, por ser mais resistente a este ambiente do que as outras bactérias fecais previstas na mesma legislação, como a Escherichia coli, que vinha sendo usada até agora e os coliformes fecais, utilizados pela CETESB até 2001.

A CETESB foi a primeira agência ambiental brasileira a constatar a eficiência deste indicador no estudo epidemiológico que realizou em 1999, correlacionando a exposição à água do mar com a ocorrência de doenças de veiculação hídrica e comprovando a relação entre o maior número de incidência com as praias mais poluídas.

Esta experiência, assim como o pioneirismo da CETESB em mais de 30 anos de avaliação da balneabilidade das praias, fez com que a agência ambiental paulista tivesse um papel fundamental nas discussões que levaram à reformulação da legislação que passou a ser adotada em todo o país para a classificação das águas para recreação.

Até três anos atrás os parâmetros para esta avaliação estavam previstos na Resolução Conama n.º 20, que tratava de vários aspectos relacionados ao uso da água. Na revisão da legislação optou-se pela publicação de uma resolução específica para o uso recreacional, tendo sido adotados os parâmetros atuais, com a adoção da enterococos, indicada pela Organização Mundial da Saúde por permitir maior exatidão nos resultados dos estudos que avaliam o nível da contaminação das praias marinhas. A resolução, no entanto, manteve os outros dois indicadores, considerando que poucos laboratórios brasileiros estão capacitados para realizar análises usando tendo a enterococos como indicador.

Outro avanço na avaliação da qualidade das praias adotado nos laboratórios da CETESB é a técnica da membrana filtrante, que permite a contagem de todas as bactérias presentes em cada amostra de 100 mililitros de água, pois retém organismos com até 0,45 micra de diâmetro. Na maioria dos laboratórios brasileiros, ainda se utiliza a técnica dos tubos de ensaio, onde a análise é feita com o número estimado de bactérias.

Com estas novidades é provável que mais praias recebam a classificação de impróprias para o banho, ou seja, apresentem um número maior de bactérias fecais do que o permitido pela legislação, indicando maior risco de contaminação por organismos patogênicos, responsáveis por doenças de veiculação hídrica. Entre as doenças transmitidas desta maneira estão as gastroenterites, hepatite e cólera.

Os técnicos da CETESB apontam os efeitos positivos que decorrerão da adoção da nova metodologia, pois o conhecimento do problema leva à busca de solução e ajudam a população a se prevenir contra possíveis danos à saúde.

Este comportamento tem sido verificado nos últimos anos pelos próprios técnicos do Setor de Águas Litorâneas que freqüentemente recebem consultas sobre a condição das praias.

Estas consultas são feitas por pessoas antes de confirmarem a reserva em hotéis, alugar ou comprar um imóvel no litoral.

Têm sido crescentes também as iniciativas de associações de moradores de praias para identificarem e resolverem problemas localizados, provocados por empreendimentos que estejam despejando esgoto diretamente nos cursos d’água que desembocam nas praias. Para isso, apoiam-se também nas análises que a CETESB realiza em mais de 600 rios e córregos localizados no litoral.

Esta tomada de consciência, deve ser acompanhada dos cuidados que a CETESB recomenda para que os banhistas se exponham menos aos riscos de infecções: mantenham-se informados sobre a qualidade das praias; não entrem na água quando a praia for considerada imprópria ou evitem mergulhar a cabeça quando o contato ocorrer; e permaneçam o menor tempo possível em águas consideradas impróprias, onde também deve ser evitado o contato direto com a areia. A última recomendação é de que adotem um comportamento que contribua para a recuperação das praias paulistas, não jogando lixo na areia ou não levando cães em seus passeios à praia.

Texto: Eli Serenza
Fotos: José Jorge