Placas conscientizam sobre abandono de animais nos parques

Evento realizado no Horto Florestal faz parte da campanha contra o abandono de animais nos parques da SMA

No dia mundial dos animais a Secretaria do Meio Ambiente – SMA e seus parceiros deram um importante passo para a proteção da fauna doméstica. Na quinta-feira, dia 4, foram instaladas e inauguradas no Horto Florestal (Parque Estadual Alberto Löfgren) 12 placas de conscientização sobre as causas e consequências do abandono de animais.

A solenidade contou com a presença do secretário Bruno Covas, do diretor geral do Instituto Florestal, Miguel Luiz Menezes Freitas, do porta-voz do grupo de voluntários Os Cães do Parque, Fábio Pegrucci, do diretor da ONG Cão Sem Dono, Vicente Defini e do irmão Gabriel, diretor da Instituição do Bairro Jardim Peri – Casa de Maria. Sansão, Tieta e Tigrão também participaram do evento. Os simpáticos cãezinhos representam os animais resgatados no parque. O primeiro é morador antigo do Horto, e os dois últimos estão para a adoção.

As placas, instaladas em pontos estratégicos do parque, seguindo a demanda dos voluntários, sensibilizam sobre os problemas causados pelo abandono, tanto aos animais quanto ao parque e à população. As mensagens têm por objetivo combater a natureza do abandono, que é a ideia errônea de que os animais vivem bem por conta própria, e deixam claro que abandonar um animal é uma prática cruel e enquadrada como maus-tratos, considerado crime ambiental federal.

Bruno Covas, que inaugurou as placas, declarou que “a colaboração dos voluntários é muito importante para o Governo, que deve apoiar a forte atuação da sociedade civil”. O secretário ainda informou que o Parque Villa-Lobos, na Zona Oeste da capital, será o próximo a receber as placas, oito, no total. E ate o próximo ano os parques estaduais Belém, Campos do Jordão, Cantareira, Carlos Botelho, Ecológico do Guarapiranga, Ilha Anchieta, Ilhabela, Intervales, Juventude, Jaraguá, Serra do Mar, Turístico Alto do Ribeira (PETAR), também serão contemplados com o material.

O trabalho voluntário

“Cães e gatos foram retirados da natureza há muito tempo, e engana-se quem acredita que eles viverão bem sozinhos. Eles precisam dos nossos cuidados e jamais podem ser abandonados”, afirmou Fabio Pegrucci, do grupo Os Cães do Parque, formado por frequentadores do Horto Florestal que, incomodados com a crescente população de cães em situação de abandono nos parques, uniram-se em defesa da causa animal. Desde o começo do trabalho do grupo, que já tem três anos, 150 animais já foram resgatados do parque e seu entorno e encaminhados para a adoção.

“No começo era uma coisa informal e paliativa, mas com o tempo vieram ações de maior alcance, com as castrações. Nosso trabalho ainda é muito jovem e não é perfeito, contudo podemos afirmar que por causa dele há dois anos e meio não nasce sequer um cão em situação de abandono no parque, e há um ano e meio nenhum cão novo se fixa, pois todos são encaminhados para a adoção”, declarou o voluntário.

À medida que combatiam ao abandono, os voluntários detectavam sua natureza e a necessidade de uma ação educacional. Ao acionar a SMA sobre a situação, a iniciativa foi abraçada pelo secretário Bruno Covas e resultou numa campanha de sensibilização. Em março foi realizado, em parceria, um seminário para expor e debater o problema, e a campanha gerou folhetos educativos e, agora, placas de conscientização. Além de proporcionar uma parceria entre SMA e grupos de protetores animais.

“Apesar de todos os protetores de animais serem apaixonados pelo que fazem, nós esperamos do fundo do coração que um dia nosso trabalho não seja mais necessário e que, no futuro, recolher um animal das ruas seja um ato de amor, e não precise de campanhas educacionais, leis, etc.”, finalizou Fabio Pegrucci.

Fauna doméstica – preocupação ambiental

Fauna doméstica é um tema novo na SMA. Antes tratado como problema de saúde pública, hoje movimenta manifestações e tem grande repercussão, principalmente nas redes sociais. É visível a crescente preocupação das pessoas por um tratamento mais humano para os animais domésticos. Para o secretário Bruno Covas “o Governo deve estar presente e colaborar com essa ansiedade da população”.

“Só reclamar não adianta, é preciso fazer alguma coisa. Nós nos revoltamos com a situação e percebemos que sozinho o trabalho voluntario não daria conta de tudo. Hoje estamos vendo o resultado desse trabalho”, comemorou Pegrucci. Para a voluntária Mariana Aidar a iniciativa é bárbara. “Ter o Governo apoiando nossa causa reforça nosso discurso e sensibiliza ainda mais as pessoas”, disse.

Segundo Bruno, “quando o Poder público dialoga com a sociedade ele está cumprindo a sua função. O diálogo deu frutos. Em abril desse ano o governador do Estado Geraldo Alckmin reformulou a SMA e criou um centro de fauna doméstica na SMA, que vai tratar do assunto dentro do governo”.

No encontro os protetores de animais ainda entregaram ao secretário uma carta de intenções, com sugestões de diretrizes sobre o problema.

Texto: Ivi Piotto
Foto: Pedro Calado