Mostra Rios e Ruas Intervenções reúne obras de cinco artistas inspiradas nos rios invisíveis de SP

Com curadoria de Marcello Dantas, a mostra ficará em cartaz até o dia 30 de novembro em São Paulo

Instigados a criar projetos que levassem o interlocutor a refletir sobre os inúmeros rios que correm imperceptíveis debaixo de uma São Paulo mal planejada, cinco artistas apresentam seus trabalhos na Mostra Rios e Ruas Intervenções, idealizada por Charles Groisman e curada por Marcello Dantas.

Até o dia 30 de novembro, os visitantes poderão apreciar a obra Trampolim, de Eduardo Srur. Composto por uma prancha de madeira e metal com um boneco realista auto-referencial que segura sua bóia salva-vidas, o trabalho está instalado na fachada do edifício e avança sobre o espelho d’água, criando uma estranha sensação no público. Quase uma cópia dos “nadadores” expostos em trampolins ao longo do Rio Pinheiros, a ideia é assim descrita pelo próprio artista:

“Vendo da janela de casa o poluído rio Pinheiros, aqui eu me coloco na situação eminente da impossibilidade de mergulhar na água. O desdobramento deste trabalho implicará em mergulhar a escultura nas águas contaminadas do rio Pinheiros pelo período de 30 dias para revelar as consequências.“

A artista Carla Caffé apresenta a obra Mapa dos rios e ruas principais da cidade de São Paulo, criando, além do mapa, desenhos gráficos dos rios em alta escala, espalhando-os em janelas de vidro e por corrimões do museu.

Como se estivesse interligada à obra de Caffé, o artista Paulo von Poser traz uma instalação, intitulada Oferenda, que remonta um píer, com barcos, água e objetos recolhidos às margens da Represa de Guarapiranga, caixa de vidro, terra e barro de uma das nascentes da Bacia Itupu. Von Poser constrói um pequeno santuário em cima da caixa – uma santa e uma réplica do Tlaloc, deus da chuva, na mitologia asteca.

O desenhista Danilo Zamboni parte de uma pergunta bastante simples para criar a obra Futuro do Pretérito: o que aconteceria se a água acabasse mesmo? Lançando mão de uma história em quadrinhos, reproduzida em alta escala em uma parede, o artista formado em arquitetura, imaginou a seguinte resposta: “depois de uma longa seca que reduziu os rios a filetes de lama, chuvas desproporcionais alterariam completamente a morfologia da cidade, alagando-a por completo. Pode-se dizer que é o lançamento de uma utopia”, afirma.

Conhecido por suas grafites em diversas galerias pluviais da cidade de São Paulo, o artista Zezão leva três fotos gigantes ao museu da Praça, impressas em papel Rag Satin Hahnemühle. Os desenhos referentes são da Galeria Cabo Sul de Baixo (2010), do Córrego do Mandaqui (2013) e do Canal de Saneamento (2013).

Segundo Dantas, os cinco elaboraram projetos que olham de maneira provocadora e poética para o passado, presente e possibilidades futuras dessa grande metrópole em que vivemos, refletindo sobre o papel que os rios exercem nessa dinâmica. “A água é uma questão vital, coletiva, humana e política, e por isso mesmo, a arte lhe diz respeito”, completa o curador.

A exposição se integra à Iniciativa Rios e Ruas, que nasceu em 2010 por meio da parceria do arquiteto e urbanista José Bueno com o educador Luiz de Campos Jr. O projeto promove o reconhecimento das principais bacias hidrográficas de São Paulo e a exploração in loco dos rios e riachos da cidade, soterrados ou não, por meio de oficinas prático-teóricas e vivências em expedições da nascente à foz dos cursos d’água. Charles Groisman, que tomou conhecimento desta em 2011, criou o projeto da mostra, que se dividiu em duas fases.

A primeira aconteceu entre os dias 31 de maio e 31 de julho, também na Praça Victor Civita, como parte da programação do Planeta no Parque, Rios e Ruas 2014, evento do Planeta Sustentável. Como atração central, foi instalada uma casa de paredes invisíveis e demarcada apenas por tubulações, simbolizando ao mesmo tempo a importância da água no cotidiano das pessoas e a invisibilidade dos rios que foram soterrados. A atual mostra recém-inaugurada é a segunda fase do projeto, cujo tema “é  atual e mundial, além de inspirar a conquista da cidade sustentável ideal”, de acordo com Groisman.

Casa Invisível no Ibirapuera

A Casa Invisível, que foi instalada na Praça Victor Civita, conhecido também como um espaço de Sustentabilidade, será levada em breve ao Parque do Ibirapuera, que completou 60 anos em agosto. A Casa Invisível será instalada em sua Marquise, e lá permanecerá durante um mês, em comemoração ao aniversário do Parque. O lugar privilegiado ainda ajudará a reduzir os custos de montagem, pois dispensará a necessidade do nivelamento do piso e a cobertura. Os interessados pelo projeto e em oferecer sua contribuição, poderão acessar o site www. catarse.me/pt/mostrarioseruas2.

Serviço

Mostra Rios e Ruas Intervenções

Curador: Marcello Dantas

Idealizador: Charles Groisman

Iniciativa Rios e Ruas: José Bueno e Luiz de Campos Jr.

Artistas participantes: Eduardo Srur, Carla Caffé, Paulo Von Poser, Zezão e Danilo Zamboni.

Allegro Cultural – Ivor Carvalho

Data: de 17 de outubro a 30 de novembro

Horário: diariamente das 8 às 18h.

Local: Praça Victor Civita – Rua Sumidouro, 580 – Pinheiros

Entrada gratuita

 

Mostra Rios e Ruas: www.mostrarioseruas.com.br

Mostra Rios e Ruas campanha Parque Ibirapuera 60 anos: www.catarse.me/pt/mostrarioseruas2

Circuito Caixa Rios e Ruas: http://www.webrun.com.br/h/eventos/passeio-e-corrida-circuito-caixa-rios-e-ruas—etapa-1—parque-ecolog/6354

 

Informações para a imprensa:
A4 Comunicação
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Tatiana Dias – tatianadias@a4com.com.br
Simon Widman – simonwidman@a4com.com.br