Segunda maior concentração de cavernas no país está em São Paulo

São Paulo é o segundo estado com o maior número de cavernas no país: são 718 sítios espeleológicos cadastrados, além de mais 40 indicados para integrar a lista, com levantamento topográfico, extensão, tipos de rochas e outros dados inventariados.

A informação foi divulgada na reunião do Conselho do Patrimônio Espeleológico do Estado de São Paulo, dia 17 de junho, na Secretaria do Meio Ambiente (SMA).

De acordo com presidente do conselho, Clayton Ferreira Lino, que também preside o Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, o patrimônio espeleológico paulista representa 12,5% das cavernas no Brasil. Perde apenas para Minas Gerais em número de sítios, segundo o cadastro nacional da Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE).

Durante a reunião, os conselheiros manifestaram apoio à proposta em estudo na SMA de incorporação de duas novas áreas com cavernas ao Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (Petar).

São as regiões de São José do Guapiara, em Guapiara, e do Lageado, que abrange os municípios de Iporanga e Itaoca. Esta última tem 70 cavernas, uma das quais a da Laje Branca, que tem como atrativo um salão subterrâneo de grande extensão, além da entrada com 30 m de altura.

O conselho também acompanha as negociações entre a Secretaria do Meio Ambiente e a Votorantim Cimentos que, com base em estudos da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, visam à incorporação de uma área conhecida como Gleba dos Paiva ao Parque Intervales.

Segundo Clayton Lino, essa área abriga 40 cavernas com o entorno totalmente coberto de mata atlântica. “Uma das cavernas é a Gruta dos Paiva, quinta maior do estado, com grande variedade biológica e de espeleotemas, que são formações minerais como estalactites e estalagmites”, disse o presidente do conselho.

Acrescentou que a caverna Alambari de Baixo, no Petar, voltou a ser aberta para visitação, após embargo de dois anos pelo Ibama, em decorrência do desmatamento no entorno. O conselho louvou a iniciativa, mas pediu providências para evitar novos impactos na área.

Conselho

O Conselho do Patrimônio Espeleológico do Estado de São Paulo (CPESP), criado pela SMA em 2013, é o primeiro do gênero no país, com participação de pesquisadores, grupos de espeleologia, prefeituras e órgãos estaduais e federais.

A secretaria executiva do CPESP é exercida pela Fundação Florestal, da SMA, responsável pela implantação das unidades de conservação paulistas. Segundo Clayton Lino, o objetivo do conselho é desenvolver estudos e organizar ações para preservação desse patrimônio.

“São Paulo perdeu várias cavernas no passado, principalmente por causa da mineração irregular. Hoje, com as ações do governo e conscientização da sociedade e dos empresários, as ameaças são mais amenas. Mas é preciso reforçar a fiscalização para evitar a poluição dos rios subterrâneos e desmatamento no entorno.”

Conforme Clayton Lino, morcegos alimentam-se nas matas e dormem nas cavernas onde depositam as fezes, que fornecem nutrientes aos animais cavernícolas, especialmente os “troglobios”, organismos só existentes nesses sítios subterrâneos.

É o caso do bagre cego, que ocorre na Gruta das Areias, no Petar, e em outras quatro cavernas da região. Trata-se de peixe albino, despigmentado, que não dispõe de globo ocular, importante para o estudo da evolução das espécies.

Para o presidente do conselho, o trabalho em desenvolvimento é fundamental para a preservação das cavernas, concentradas principalmente nas regiões do Vale do Ribeira e Alto Paranapanema.

Iporanga

Das 718 formações cadastradas, 441 ficam no município de Iporanga e outras 80 em Apiaí, o que faz do Petar a área com maior concentração de cavernas no país.

“Conhecemos pouco deste patrimônio. Novas cavernas ainda devem ser descobertas. Mesmo nas conhecidas são registradas novas formações e espécies de animais. Temos grande diversidade espeleológica, com grutas horizontais e abismos, em vários tipos de rochas, além de cavidades com características peculiares”, afirmou Clayton Lino.

É o caso da Casa da Pedra, no Petar, com pórtico de entrada de 215 m, o maior do mundo, e cavernas com grande profundidade, como Abismo do Juvenal, com 241 m de desnível. Há ainda cavidades de grandes dimensões em rochas não calcárias. Entre elas, a Gruta, em Itu. Com cerca de 1.250 m, é a maior caverna em granito do país e uma das maiores do mundo.

As cavernas paulistas têm grande variedade de espeleotemas. Entre elas, destacam-se a Caverna de Santana, em Iporanga, e a Caverna do Diabo, em Eldorado. Além da facilidade de acesso e dos serviços de recepção e monitoria ambiental, atraem visitantes por causa da beleza das formações, como o Salão da Catedral da Caverna do Diabo, com estalagmites de 20 m de altura.

Outras cavidades se caracterizam pelos aspectos arqueológicos e históricos, registrando sepultamentos indígenas antigos ou fósseis, como os de preguiças e tatus gigantes, que habitaram a região na era geológica conhecida como pleistoceno, iniciada há 1,750 milhão de anos.

Há ainda cavernas de importância religiosa como a Gruta do Itambé, em Altinópolis. Das cavernas paulistas, 58 têm importância turística e, dessas, 32 já dispõem de planos de manejo espeleológico, com zoneamento, regras de visitação, uso para pesquisas e outras atividades.

Municípios como Iporanga têm mais de 50% de sua economia baseada nos recursos gerados por esses atrativos turísticos. “Isso mostra a importância econômica que a conservação dessas cavidades pode representar para várias regiões do estado”.