Passeio e aula de geologia no Parque da Rocha Moutonnée

O parque, que abriga uma das únicas rochas moutonneé conhecidas no planeta, é uma ótima opção de passeio para toda a família

Texto: Anna Karla Ramos
Fotos:  Assessoria de Imprensa / Prefeitura de Salto

Dando continuidade à série sobre os monumentos geológicos do estado de São Paulo, apenas 15 minutos a norte do Varvito de Itu, encontramos a Rocha Moutonnée, no município de Salto.

Localizada no parque municipal de mesmo nome, a rocha é um grande bloco de granito róseo, com formato arredondado. O que torna a rocha do tipo moutonnée tão especial são umas arranhaduras encontradas sobre sua superfície causadas por abrasão glacial, ou seja, pela erosão ocasionada por uma geleira que entrou em atrito com a rocha. Estima-se que isso tenha ocorrido durante a era Paleozoica, há aproximadamente 270 milhões de anos.

Para os pesquisadores, as rochas denominadas moutonnée lembram uma forma de carneiro deitado. Daí o nome derivado do francês. Mouton significa carneiro, então moutonnée seria algo como “acarneirado”.

Esse tipo de formação geológica é de ocorrência muito rara. Entre as poucas moutonnée existentes no mundo, apenas a rocha de Salto e outra que fica no Inman Valley, na Austrália, têm características semelhantes no que diz respeito ao tempo em que foram formadas.

Antigamente, se desconhecia o valor desse patrimônio geológico e a exploração do granito quase destruiu a rocha moutonnée de Salto. Em 1946, o geólogo Marger Gutmans, do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), descobriu a rocha, que felizmente ainda apresentava um conjunto de características ímpares, merecedores de proteção e tombamento.

Hoje, a rocha é um monumento geológico, protegido pelo Sigap (Sistema de Informação e Gestão de Áreas Protegidas e de Interesse Ambiental do Estado de São Paulo), tombado pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo) e, desde 2000, tornou-se um dos Sítios Geológicos Brasileiros, definido pela Comissão Brasileira de Sítios Geológicos e Paleobiológicos.

É um dos afloramentos mais importantes ligados à glaciação do Gondwana, o supercontinente que deu origem aos continentes hoje conhecidos. A Rocha Moutonnée atrai a atenção de pesquisadores de todo o mundo.

Junto com outras evidências, essa formação geológica comprova que a nossa região já passou por alternâncias climáticas significativas e ajuda a explicar os primórdios de nosso planeta.

Assim como o Varvito de Itu, a Rocha Moutonnée faz parte do roteiro clássico de turismo pedagógico no estado de São Paulo.

O Parque

A visita ao Parque da Rocha Moutonnée é uma verdadeira aula de geologia. Ao longo do parque, que tem quase 44 mil metros quadrados, painéis explicativos fazem uma abordagem didática sobre as eras geológicas e a evolução da vida no planeta.

Um atrativo que costuma fazer sucesso com as crianças são nove réplicas de dinossauros, que fazem referência à era mesozoica.

O parque fica situado à margem do rio Tietê e é um espaço arborizado, ideal para um passeio e piquenique em família. Dispõe de lanchonete, loja de souvenirs, banheiros e estacionamento.

Para quem quer aproveitar melhor a visita, a prefeitura recomenda a contratação de um guia de turismo, que pode dar explicações sobre a rocha moutonnée e sobre as diferentes eras geológicas.

Serviço

Parque da Rocha Moutonnée

Rodovia Rocha Moutonnée (Antiga Estrada das Sete Quedas), s/n – Salto/SP

Aberto de terça a domingo, das 8h30 às 16h30

Entrada gratuita

Mais informações: https://salto.sp.gov.br/site/?page_id=728