Sistemas agroflorestais terão monitoramento

Informações vão subsidiar desenvolvimento de políticas públicas para restauração ambiental e implantação de demais projetos

Texto: Luciana Reis/CBRN
Foto: CBRN

Os parceiros que compõe o Painel Agroflorestal iniciam, neste mês de maio, a análise dos dados de seis sistemas agroflorestais (SAFs) implantados no âmbito do Programa de Desenvolvimento Rural Sustentável (PDRS). Serão considerados aspectos ecológicos, edáficos, econômicos e sociais dos projetos.

Ao todo, foram implantados 21 sistemas, em cerca de 600 hectares. Os SAFs estão principalmente em assentamentos rurais, localizados em todo o estado de São Paulo.

O Painel Agroflorestal é um grupo de trabalho instituído pela Secretaria do Meio Ambiente (SMA) e composto por técnicos e pesquisadores da Coordenadoria de Biodiversidade e Recursos Naturais (CBRN/SMA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Cati e Apta), da Embrapa Meio Ambiente, da Esalq/USP, da UFSCar, da Unesp, da Unicamp, do Mutirão Agroflorestal, do Ipê e do ICRAF (World Agroforestry Centre).

A iniciativa tem como objetivo apoiar a administração pública estadual no desenvolvimento de estratégias e ações relacionadas ao monitoramento de curto, médio e longo prazo de sistemas agroflorestais. A ideia é conhecer os benefícios ambientais e transformações da implantação dos sistemas agroflorestais, por exemplo, quanto a ocorrência de doenças e pragas, atração de fauna, produtividade das espécies nesse novo sistema produtivo, internalização de novas práticas pelos agricultores, aumento na geração de renda entre outros.

“Esses dados poderão subsidiar políticas públicas quanto às melhores estratégias para ampliar a sustentabilidade ambiental da agricultura familiar”, ressalta Neide Araújo, coordenadora do PDRS da CBRN.

Além das questões de monitoramento, os parceiros acompanham o andamento geral dos projetos, apoiando na definição de estratégias de capacitação para a equipe técnica e agricultores, oferecendo dias de campo relacionados à implantação e ao manejo de SAFs.

“Essas parcerias têm se fortalecido dia a dia, construindo um canal direto entre pesquisadores que trabalham com SAF e a equipe da CBRN, o que permite enfrentar melhor os problemas técnicos do cotidiano, compartilhar aprendizados e informações para melhorias das políticas públicas”, destaca Neide Araújo.

Resultados

A coordenadora explica ainda que mesmo antes dos resultados do monitoramento já é possível observar que as SAFs atraem fauna, e principalmente, como sistema de produção mais complexo e diverso, permite a agricultores reduzirem e, em alguns casos, eliminarem agroquímicos. Isso representa produtos saudáveis para o consumidor, mais satisfação do agricultor e menor poluição dos solos e águas.

Todos os projetos serão monitorados. Os primeiros resultados devem ser divulgados no próximo mês de setembro. A proposta é dar continuidade ao monitoramento, permitindo incorporar informações das transformações em SAFs de quatro a cinco anos de implantação.