Protocolo Agroambiental reduz em 90% área de queima de cana em SP

Em uma década, a produção do setor cresceu e as boas práticas ambientais acompanharam o crescimento

Desde o início do Protocolo Agroambiental do Setor Sucroenergético em São Paulo houve uma redução de mais de 90% da área de queima de cana autorizada. A informação foi divulgada pelo secretário Ricardo Salles durante o evento de comemoração de 10 anos de vigência do documento assinado pelo setor com o Governo do Estado.

Participaram da cerimônia, realizada na terça-feira (6), a presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Elisabeth Farina, e o presidente do conselho da entidade, Pedro Mizutani, e o secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Arnaldo Jardim.

O balanço aponta que, em uma década de vigência, o Protocolo acumulou uma série de ganhos ambientais que trouxeram mais sustentabilidade para o setor sucroenergético paulista. Em sua fala, Ricardo Salles destacou ainda a redução do consumo de água, a proteção das áreas ciliares, e a prevenção e o combate a incêndios florestais.

“O Protocolo evitou a emissão de mais de 9,27 milhões de toneladas de CO2 e mais de 56 milhões de toneladas de poluentes atmosféricos. A área de queima autorizada na última safra foi de apenas 2,5% do total da área de colheita de cana no Estado”.

O secretário Arnaldo Jardim disse que “para cumprir com a meta de redução de queima, as usinas e os fornecedores de cana investiram na aquisição de frentes de colheita de cana, sistematização dos canaviais para a colheita crua e capacitação da mão de obra”.

A redução do consumo de água também foi destaque positivo. As usinas paulistas vêm reduzindo seu consumo de água por meio do aprimoramento de processos industriais e do fechamento de circuitos com reúso de água para atender aos patamares estabelecidos pelo Zoneamento Agroambiental do Setor Sucroenergético, no âmbito do licenciamento ambiental.

A cana crua (ao contrário da cana queimada, que era lavada com água) agora passa por um processo de limpeza a seco antes de seguir para a moenda, fato que também contribuiu para essa redução.

Ente 2010 e 2016, houve um decréscimo de 40% no consumo de água para o processamento industrial da cana-de-açúcar; nos anos 90, 5 m³ de água eram utilizados para o processamento de 1 tonelada de cana nas usinas; na safra 2016/2017, esse valor caiu para 0,9 m³/t.

O setor também se comprometeu a proteger as matas ciliares, não só deixando de cultivar nessas áreas, mas, sobretudo, restaurando e protegendo. Na safra 2016/2017, foram contabilizados mais de 200.444 ha de áreas ciliares e mais de 8.230 nascentes com a proteção e a restauração. Desde o início do Protocolo, foram produzidas e plantadas mais de 35 milhões de mudas de espécies nativas pelas signatárias do Protocolo.

Além dos secretários de Estado, a UNICA também convidou Xico Graziano, autor do Protocolo Agroambiental quando ocupou o cargo de secretário do Meio Ambiente.

O secretário Ricardo Salles foi recebido na sede da UNICA por Elisabeth Farina, presidente, e Pedro Mizutani, presidente do conselho