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19/03/02 15:49

Governo do Estado e Petrobras firmam parceria para despoluir rio Pinheiros

PROJETO DE DESPOLUIÇÃO DO RIO PINHEIROS

O projeto de limpeza do Pinheiros é uma iniciativa da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, utilizando a técnica de flotação (produtos químicos aglomeram a sujeira, que é suspensa e então removida) no próprio leito do rio. A CETESB – Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental, órgão subordinado à Secretaria do Meio Ambiente, vai participar do projeto acompanhando a qualidade das águas e realizando o monitoramento do sistema.

Na assinatura do convênio para a despoluição do rio, no dia 7 de dezembro, estiveram presentes o governador Geraldo Alckimin, os secretários estaduais Ricardo Tripoli, do Meio Ambiente, Mauro Arce, da Energia, e André Franco Montroro Filjho, do Planejamento, os Presidenters da Cetesb, Dráusio Barreto, da EMAE, Márcio Magalhães, da SABESP, Ariovaldo Carmignani e da Petrobras, Philippe Reichstul. O convênio foi assinado pelo Governo do Estado, através da EMAE e pela Petrobras. Essa parceria permitirá a implantação do sistema de flotação no rio Pinheiros que, na primeira fase, irá consumir R$ 42 milhões. O projeto total está orçado em milhões de reais.

Início do tratamento em oito meses

De acordo com o governador Geraldo Alckmin, a previsão de início de funcionamento do sistema é de oito meses, o que permitirá o tratamento de 10 metros cúbicos por segundo de água. A primeira estação será instalada junto ao córrego de Zavuvus, a cinco quilômetros da represa Billings. As águas tratadas, desde que atingindo os parâmetros estabelecidos pela legislação, em termos de padrão de qualidade, poderão ser então bombeadas e lançadas no reservatório.
Alckmin lembrou que o sistema de flotação tem sido adotado com sucesso no Projeto Pomar – de paisagismo e revitalização das margens do rio Pinheiros – , e foi, inclusive, homenageado durante a cerimônia, com a entrega de uma cesta com flores e plantas do Projeto Pomar irrigadas com águas tratadas através do sistema de flotação.

O governador ressaltou os vários benefícios decorrentes da despoluição do rio Pinheiros, como a melhoria das águas da represa Billings e o aumento da capacidade de geração pela usina Henry Borden, entre outros, destacando ao final o fato de que o governo não irá ter gastos com o projeto, já que os custos estão sendo totalmente assumidos pela Petrobras.

Já o secretário Ricardo Tripoli, citando o caso da despoluição do rio inglês Tâmisa, que esperou 150 anos para ser limpo”, recordou que o Pinheiros aguardava há 60 anos por esse projeto e afirmou: “a despoluição do rio paulistano servirá como um grande estímulo à proliferação da defesa da integridade do patrimônio ecológico em São Paulo, além de possibilitar um novo cartão postal para a cidade”.

Retorno da vida aquática

A estação de tratamento a ser instalada junto ao córrego de Zavuvus será a primeira de um total de sete, que irá tratar 50 metros cúbicos por segundo de água. Essa primeira estação funcionará como um projeto piloto.

A proposta foi apresentada ao Governo do Estado pela Secretaria do Meio Ambiente por permitir a melhora imediata da qualidade das águas do rio Pinheiros e o aumento significativo dos níveis de oxigênio, restabelecendo as condições para o retorno da vida aquática. Além disso, o processo de flotação e remoção dos efluentes sólidos auxilia também na remoção dos metais pesados e na redução significativa do fósforo, o principal responsável pelo processo de eutrofisação do reservatório Billings, melhorando a qualidade das águas para o abastecimento.

Outros benefícios imediatos da remoção dos poluentes do rio Pinheiros serão a redução da carga de esgoto lançado no Médio Tietê, com reflexos positivos diretos na qualidade das águas que atravessam municípios como Santana do Parnaíba, Salto e Itu, entre outros. Também o retorno do bombeamento do Pinheiros para a Billings e o consequente aumento do volume de água do reservatório se refletirá nos municípios da Baixada Santista e Cubatão, com aumento da oferta de água para o abastecimento público e para o uso industrial.

Ainda, com o aumento da oferta de água para o reservatório, a EMAE – Empresa Metropolitana de Águas e Energia poderá ampliar a capacidade de geração de energia elétrica, pela usina Henry Borden, e a Petrobras terá direito a 50% dos lucros com a venda excendente de energia. O cálculo previsto, com o aumento de 50 metros cúbicos por segundo, é de 280 megawatts, suficientes para abastecer um município com cerca de um milhão de habitantes.

O sistema de flotação

O sistema de tratamento das águas por flotação, que se caracteriza pelo seu baixo custo, está sendo aplicado em vários locais com resultados positivos. Além dos dois canais na Praia da Enseada, no Guarujá, e dos lagos dos Parques da Aclimação e do Ibirapuera, será adotado também na despoluição dos lagos dos Parques Estaduais Alberto Loefgren e do Jaraguá, cujas águas recebem lançamento de esgotos.

O governador Geraldo Alckmin e o secretário Ricardo Tripoli estiveram no Parque Alberto Loefgren, antigo Horto Florestal, no dia 16 de setembro passado, para anunciar a construção da estação de flotação e remoção de resíduos sólidos flutuantes no Córrego da Pedra Branca. Garantindo que os resultados “serão visíveis em sete ou oito meses”, o governador disse que serão investidos R$ 790 mil nessa obra.

A Sabesp implantou uma estação de tratamento de água por esse sistema no Córrego Guavirutuba, o principal afluente da Represa do Guarapiranga. Essa unidade tem capacidade para 200 litros de água por segundo, efetuando a retenção dos resíduos sólidos com grades basculantes e cercas flutuantes; aplicação de agentes químicos coagulantes, como sulfato de alumínio e cloreto férrico, que agregam a sujeira em flocos; injeção de ar promovendo a suspensão dos flocos para a superfície da água; e coleta dos flocos. O lodo formado é recolhido e desidratado, para reduzir o peso e volume, seguindo para disposição final adequada.

Uma estação-piloto, com capacidade para o tratamento de cinco litros de água por segundo, foi instalada na Usina da Traição alcançando resultados extremamente favoráveis. A expectativa do Governo do Estado é de que, além do ganho ambiental, a melhoria da qualidade das águas do Rio Pinheiros deverá possibilitar o bombeamento para o Reservatório Billings, ampliando a produção de energia elétrica na Usina Hidrelétrica Henry Borden.

O bombeamento, hoje, só é possível em situações de emergência, para o controle de enchentes, eliminação de riscos de pane no suprimento de energia elétrica na Região Metropolitana de São Paulo e saneamento das águas no Médio Tietê.

A despoluição do Rio Pinheiros, além de aumentar a disponibilidade de água doce na Bacia do Rio Cubatão, na Baixada Santista, vai também agilizar o programa de despoluição do Rio Tietê, do qual o Pinheiros é o mais importante afluente na Região Metropolitana de São Paulo.

Texto: Mário Senaga
Fotos: José Jorge