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A SMA promoveu, nos dias 28 e 29 de junho, em São Pedro, um evento para troca de experiências entre agricultores da região leste do Estado beneficiados pelo Projeto de Desenvolvimento Rural Sustentável (PDRS) – Microbacias II.

Estiveram presentes representantes de 14 organizações de agricultores, técnicos da SMA, INCRA e ITESP, além de pesquisadores de instituições parceiras no PDRS (Embrapa, UFSCAR, UNICAMP e ESALQ/USP). Foi destaque a participação dos artistas plásticos Jorge Menna Barreto, Marcelo Wasem e Joel Bugila, que acompanharam o intercâmbio a fim de subsidiá-los na preparação de uma obra que trará os sistemas agroflorestais para a Bienal de SP/2016.

No primeiro dia do intercâmbio, por meio de um carrossel de instalação de projetos, cada organização montou um painel para compartilhar com os demais seus aprendizados e preocupações sobre os projetos. Os presentes tiveram oportunidade de conhecer e discutir peculiaridades, trajetória e dificuldades de cada projeto.

Como resultados mais expressivos foram destacados: o aumento na credibilidade de parcerias com o poder público e com a SMA, fortalecimento das organizações (capacitações, aquisição de equipamentos e benfeitorias em sedes), retomada de trabalhos coletivos, melhoria da relação do agricultor com o meio ambiente e entre agricultores, diversificação da produção, aumento da renda e melhoria ambiental e da qualidade de vida. Entre as principais preocupações, foram salientadas as mudanças climáticas, necessidade de assistência técnica e manutenção dos mercados institucionais e a abertura de novos mercados voltados a produção agroflorestal.

No segundo dia de trabalho os agricultores Vandei Junqueira Aguiar e Christine Julie Smrin Bugnon, da Associação Dom Hélder Câmara, de Ribeirão Preto, falaram sobre a história do assentamento Mário Lago e da implantação do SAF. Reforçaram a importância da parceria da SMA na capacitação dos beneficiários em relação aos SAFs e apoio à comercialização, destacando também o aspecto fundamental do trabalho coletivo para os bons resultados alcançados. Relataram o processo de estruturação e resultados de vendas de cestas de produtos do SAF para entrega direta aos consumidores finais.

David Ferreira Junior e Marcelo Rosa da Copafasb, do município de Sete Barras, apresentaram a experiência da organização na comercialização, destacando a importância dos mercados institucionais para alavancar a produção agroecológica e orgânica, do processo de certificação orgânica, das parcerias de produção, do trabalho de capacitação técnica e administrativa, da presença de técnicos para assistência técnica contratada, da aproximação com os parceiros comerciais.

Joana Mamede e Adilson Gonçalves Batista, da Cooperafloresta, compartilharam um pouco da história de 110 agricultores que produzem e vivem exclusivamente de suas agroflorestas. Falaram também da estruturação e
organização para realizar a gestão de sua agroindústria. Gilberto Endo, da CAISP, fez uma apresentação sobre a comercialização em redes de varejo e a implantação da linha de produtos minimamente processados apoiada pelo PDRS para reduzir resíduos provenientes de material fora de padrão, anteriormente descartado. O intercâmbio foi finalizado com troca de sementes entre os agricultores.

O Projeto Microbacias II é realizado por meio de uma parceria entre a Secretaria do Meio Ambiente, representada pela Coordenadoria de Biodiversidade e Recursos Naturais (CBRN), e a Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) , representada pela Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), com financiamento do Governo de São Paulo e do Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD) – Banco Mundial.

Os Sistemas Agroflorestais são formas de uso e manejo da terra no qual árvores ou arbustos são utilizados em consórcio com culturas agrícolas, forragens e/ou em integração com animais. Nas agroflorestas, a diversidade de árvores, arbustos e culturas agrícolas interagem e beneficiam-se mutuamente. A produção agroflorestal contribui com a promoção da biodiversidade, melhoria da qualidade dos solos, controle de erosão, menor uso de água, redução de pragas, doenças e ervas daninhas, dispensando ou reduzindo o uso de agrotóxicos.