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13|novembro|2003
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A Secretaria
do Meio Ambiente do Estado - SMA promoveu, nesta quinta-feira (13/11),
o Seminário "Educação Ambiental: 20 Anos de
Políticas Públicas", no Parlamento Latinoamericano
- Parlatino, situado na Rua Auro Soares de Moura Andrade, 564, na Barra
Funda, em São Paulo.
O evento foi aberto pela secretária-adjunta do Meio Ambiente, Suani
Teixeira Coelho, a qual ressaltou que o encontro é a ilustração
de todos os trabalhos desenvolvidos pela SMA, mostrando a importância
da educação ambiental como uma ferramenta na melhoria do
serviço público no atendimento às demandas da sociedade.
Para a advogada Lúcia Bastos Ribeiro de Sena, coordenadora de Planejamento
Ambiental Estratégico e Educação Ambiental, o encontro
resgata a memória dos projetos desenvolvidos nos últimos
vinte anos e adianta que a SMA pretende, para 2004, criar o Programa Estadual
de Educação Ambiental com ações efetivas para
envolver a comunidade no processo de gestão dos recursos naturais.
Ações
na SMA
O primeiro módulo do encontro teve como tema "O que se pensa,
o que se faz", com mediação do diretor do Curso de
Extensão da Faculdade Senac, Eduardo Ehlus, onde foram apresentadas
as atividades de educação ambiental promovidas pelos diversos
órgãos que compõem o sistema de meio ambiente do
Estado.
O primeiro palestrante foi o engenheiro João Antônio Fusaro,
coordenador de Licenciamento Ambiental e de Proteção de
Recursos Naturais - CPRN, que ressaltou que a educação ambiental
é um recurso para a conscientização da comunidade
utilizado pelos três departamentos que compõem a sua coordenadoria:
o Departamento de Uso do Solo Metropolitano - DUSM, o Departamento Estadual
de Proteção de Recursos Naturais - DEPRN e o Departamento
de Avaliação de Impacto Ambiental - DAIA. Para o Fusaro,
a educação ambiental faz a sociedade se comprometer com
as ações de preservação.
Para Fernando Rei, diretor de Controle da Poluição da CETESB
- Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental, "a educação
ambiental é um caminho na busca de um gerenciamento ecológico",
justificando a sua prática, de forma rotineira, em todas as 34
agências ambientais distribuídas pelo Estado.
A publicitária Vera Lúcia Cezaretto, falando de sua experiência
nessa atividade, explicou que o trabalho de atendimento à comunidade,
realizado pela Diretoria de Controle da Poluição, não
se restringe apenas às denúncias e, sim, a um exercício
mais profundo de contato com a população local, formando,
inclusive, agentes mutiplicadores das atividades de controle e fiscalização.
Escola
prática
O engenheiro agrônomo Luiz Mauro Barbosa, diretor-geral do Instituto
de Botânica, salienta que os programas educacionais são fundamentais
para a pesquisa e o conhecimento da biodiversidade de nosso Estado. Outro
agrônomo, Dácio Roberto Mateus, diretor-técnico desse
mesmo instituto, lembra que “o Jardim Botânico é uma
escola prática onde os estudantes aprendem e se educam”.
Segundo Mateus, as atividades educacionais auxiliam na conservação
da biodiversidade do Jardim Botânico e transmitem aos visitantes,
que chegam a uma média anual de 100 mil pessoas, a importância
da preservação de um espaço de 526 hectares com 129
famílias de espécies arbóreas.
Para a geóloga Sônia Aparecida Abissi Nogueira, diretora
do Instituto Geológico, o Museu Geológico Valdemar Lefévre
assimila o espírito da educação ambiental na divulgação
do trabalho ali desenvolvido. Sua boa localização, no Parque
da Água Branca, ao lado das atividades educacionais, propicia a
visitação de 90 mil pessoas por ano. O seu acervo é
peça fundamental, pois é composto de equipamentos geológicos,
fotos, mapas, minerais, rochas e fósseis.
Organização
da sociedade
A
Fundação Florestal aproveita os conceitos de educação
ambiental em seus programas, realizados em parceria com a comunidade.
Um exemplo é o Projeto de Ordenamento da Exploração
de Ostras no Mangue do Estuário de Cananéia, premiado na
Conferência Rio+10, em Johannesburgo, que, ao organizar uma comunidade
por meio de ações educativas, provou a possibilidade de
sobrevivência de quilombolas por meio da coleta racional de ostras
nos mangues do Lagamar.
A engenheira florestal Antônia Pereira de Ávila Vio, diretora
executiva da Fundação Florestal, lembra que a educação
ambiental "contribuiu na conscientização das comunidades
tradicionais quanto à importância da preservação
dos mangues, das matas e da fauna do nosso ecossistema”.
Os trabalhos no período da manhã contaram, ainda, com os
depoimentos da bióloga Maria de Jesus Robim, do Instituto Florestal,
que destacou os projetos desenvolvidos nas 90 unidades de preservação
administradas pelo órgão e que recebem aproximadamente um
milhão de visitantes por ano e do coronel João Leonardo
Mele, comandante da Polícia Militar Ambiental, que salientou a
diminuição expressiva de apreensão de animais devido
à conscientização e participação da
comunidade na proteção da fauna e da flora.
Memória
O
módulo II, no período da tarde, promoveu o resgate da memória
e da história da educação ambiental, como uma prática
de política pública nos últimos 20 anos. O primeiro
palestrante foi o arquiteto Fredmar Correa que, em 1983, foi o responsável
pela formação da primeira equipe de educação
ambiental, na CETESB, que integrava, então, a Secretaria de Obras
e Meio Ambiente.
Correa ressaltou as dificuldades encontradas no desenvolvimento de uma
ação totalmente nova, tentando resgatar o sentido de cidadania
numa população, cujos valores haviam se deteriorado durante
os anos de ditadura militar. A primeira experiência foi desenvolvida
em Cubatão, cujo pólo industrial era, então, chamada
de “Vale da Morte”, em decorrência do elevado grau de
poluição e suas conseqüências na saúde
de seus habitantes.
A área figurava no organograma da Diretoria de Planejamento Ambiental
da CETESB e, segundo Correa que era o diretor, foi dada uma forte ênfase
nas ações de mobilização social para estabelecer
a base de sustentação da educação ambiental.
"Começamos com cinco pessoas e acabamos com 125, trabalhamos
com muitas dificuldades, andamos em circulo algumas vezes, mas fomos criando
um conjunto de saberes. Eu fui o primeiro a fazer esse trabalho e, hoje,
eu faria diferente, criando primeiro uma diretoria de mobilização
social e educação ambiental, para depois criar a de planejamento
ambiental", concluiu.
Ganhos
ambientais
Germano Seara Filho, atual secretário executivo do Conselho Estadual
do Meio Ambiente – CONSEMA, respondeu pela Coordenadoria de Educação
Ambiental – CEAM, já na Secretaria do Meio Ambiente do Estado.
A sua opinião é de que as ações desenvolvidas
nessa área trouxe ganhos ambientais para o Estado, contribuindo
para o saneamento de Cubatão que, hoje, tem 97% de suas fontes
de poluição controladas e a diminuição dos
índices de desmatamento no Estado.
Para Seara, a população está mais consciente, embora
distante do ideal, pois os rios continuam poluídos e as áreas
de preservação continuam sendo invadidas.
"Instruir e educar são coisas diferentes. Educar é
muito mais do que instruir. É formar cidadãos com consciência
crítica, desenvolver o senso de responsabilidade. Não existe
modelo pré-fabricado de homem, a educação libertária
tem que levar os homens a não aceitar os modelos feitos",
concluiu.
José Flávio de Oliveira, que também dirigiu a CEAM,
elogiou a iniciativa de se realizar o evento para reconstituir a história
da educação ambiental em São Paulo: “O que
estamos fazendo é uma avaliação pública do
que foi feito e do que está sendo feito, essa transparência
é fundamental na gestão da coisa pública", disse.
Oliveira ressaltou que, em sua gestão, foram criados os núcleos
regionais de educação ambiental para levar o tema para todo
o Estado, ao mesmo tempo em que houve um esforço para uniformizar
a linguagem, em busca de um trabalho mais integrado entre todos. "Realizamos
também duas campanhas que foram fundamentais para envolver a população
na discussão das questões ambientais, que foram a Operação
Litoral Vivo e Operação Rodízio, sendo que esta última
teve uma adesão de 40 % da população da cidade de
São Paulo", concluiu.
Universalização
A
segunda mesa do módulo II foi aberta pelo secretário estadual
do Meio Ambiente, professor José Goldemberg, que afirmou estar
cada vez mais convencido de que a educação ambiental permeia
todas as áreas de atividades. "A idéia de que a educação
ambiental é feita por quem tem o rótulo de educador é
falsa, pois todos nós fazemos educação ambiental,
que é uma atividade de todos os dias. Quando alguém vai
à Secretaria licenciar um empreendimento, ele acaba aprendendo
algo sobre proteção ao meio ambiente e isso é educação
ambiental", afirmou.
Já o professor Genebaldo Freire Dias considera que a educação
ambiental no Brasil evoluiu muito: "Hoje fazemos parte de uma das
nações que mais avançou em educação
ambiental no mundo. O Brasil faz parte de uma elite das 20 nações
que mais avançaram na gestão de educação ambiental",
garantiu. No seu entender, o Brasil é um país rico, novo
e criativo, com um potencial energético que nenhuma outra nação
dispõe. “A educação ambiental é um processo
que nos permite perceber isso”, explicou.
Publicações
No encerramento
do evento foram lançadas as publicações "Educação
Ambiental: 20 Anos de Políticas Públicas" e "O
Que se Pensa. O que se faz", que discutem as atividades desenvolvidas
no âmbito da SMA nesses 20 anos, com relatos e descrição
de projetos. Os livros estão disponíveis no site www.ambiente.sp.gov.br
para consulta e 'down load'.
Texto:
Cris Couto e Cris Olivette
Fotos: José Jorge |










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