| 19|maio|2004 |
A
Usina de Compostagem de Vila Leopoldina, localizada na Zona Oeste da Capital,
que vem sendo motivo de reclamações por parte da população
em virtude dos incômodos causados, será desativada até
o próximo mês de setembro. O compromisso foi assumido pela
Prefeitura de São Paulo, que deverá transformar o local
em um parque.
O secretário estadual do Meio Ambiente, professor José Goldemberg,
diante dessa proposta afirmou nesta terça-feira (18/5) que a CETESB
- Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental não mais procederá
à interdição da usina. A afirmação
foi feita logo após reunião com os secretários municipais
de Serviços e Obras, e do Verde e Meio Ambiente, respectivamente
Osvaldo Misso e Adriano Diogo, que reafirmaram o compromisso de desativar
a usina.
A reunião contou, ainda, com a presença de Rubens Lara e
Lineu Bassoi, respectivamente, presidente e diretor de Engenharia, Tecnologia
e Qualidade Ambiental da CETESB – Companhia de Tecnologia de Saneamento
Ambiental, João Fuzaro, diretor da CPRN - Coordenadoria de Licenciamento
Ambiental e Proteção de Recursos Naturais, e Geraldo Rangel,
promotor de Meio Ambiente da Capital, entre outros.
Goldemberg lembrou que, após receber, há cerca de um mês,
uma proposta de interdição imediata da usina, encaminhada
pelas áreas técnicas da CETESB, em função
dos insolúveis problemas causados pelo odor emanado do lixo, iniciou
negociações com os representantes da prefeitura, de quem
recebeu o pedido de um prazo maior para a desativação da
unidade.
O prazo inicial solicitado foi 2006, que o secretário considerou
inaceitável. Posteriormente propuseram um prazo entre seis a dez
meses, que ainda estava sendo analisado. “A prefeitura alegava problemas
contratuais, que acarretariam um custo inviável se a usina fosse
fechada imediatamente”, explicou, mas diante do novo cronograma
de desativação apresentado, com o encerramento das atividades
da usina em setembro e a transformação do local em parque,
o secretário decidiu suspender a proposta de interdição.
A fundadora e presidente do Movimento Popular de Vila Leopoldina, Gláucia
Mendonça Prata, uma das principais líderes dos movimentos
comunitários contra a usina e que entre outras iniciativas encaminhou
à CETESB, em abril do ano passado, um abaixo-assinado contendo
mais de seis mil assinaturas, solicitando o fechamento da unidade, elogiou
a ação da agência ambiental e o empenho pessoal do
secretário do Meio Ambiente na busca de uma solução
definitiva para o problema.
“O secretário José Goldemberg manteve uma posição
firme e, com o devido apoio das áreas técnicas da CETESB,
uma parceira do movimento, e a devida articulação junto
à prefeitura, teve uma atuação decisiva para chegarmos
a este resultado, que representa a vitória do consenso, com o entendimento,
da parte de todos os envolvidos, de que não havia mais condições
de a usina continuar funcionando, num local com adensamento urbano tão
alto como a Vila Leopoldina”, disse.
A Usina de Compostagem de Vila Leopoldina, localizada na Avenida Embaixador
Macedo Soares, 6.000, em uma área de 54 mil metros quadrados, iniciou
suas atividades em 1974, para produzir 800 toneladas diárias de
composto orgânico. Devido aos problemas de poluição,
causados por odores e disposição inadequada do lixo proveniente
de residências e feiras, foi objeto de mais de 550 reclamações
da população vizinha e 25 autuações da CETESB.
Segundo os secretários municipais, com a desativação,
os resíduos domésticos que estão sendo encaminhados
para Vila Leopoldina serão enviados para o Aterro Bandeirantes,
também administrado pela Prefeitura de São Paulo.
Texto: Mário Senaga
Fotos: José Jorge |




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