Inventário mostra melhora na
destinação de lixo doméstico


4|março|2004   

A quantidade de resíduos sólidos domésticos dispostos de forma adequada, no Estado de São Paulo, passou de 10,9%, em 1997, para 70,7%, em 2002. Este é um dado que consta de um inventário produzido pela CETESB – Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental, com base em pesquisa junto aos municípios, mostrando que a situação, em sete anos, melhorou de forma expressiva.

Apesar disso, o secretário estadual do Meio Ambiente, professor José Goldemberg, acentua que o problema da destinação final de resíduos sólidos é um dos mais importantes e difíceis enfrentados atualmente pelo governo. Para o secretário, uma boa parte das dificuldades encontradas para a aprovação de licenciamentos ambientais pela CETESB e Secretaria do Meio Ambiente tem relação com os resíduos sólidos, lembrando que na Região Metropolitana de São Paulo praticamente não há mais espaço para se instalar aterros sanitários de grande porte.

Goldemberg fez esta avaliação na abertura do curso “Gestão Integrada de Resíduos Sólidos - Experiências de Diferentes Atores Sociais”, organizado pela SMA nesta quinta-feira (4/3) com a finalidade de apresentar e debater diferentes experiências desenvolvidas no Estado para estimular iniciativas municipais na gestão de resíduos sólidos, utilizando a educação ambiental como instrumento básico no processo de minimização de resíduos.

O professor Goldemberg disse que a importância do assunto pode ser medido, também, pelo número de propostas de leis estaduais que tramitam na Assembléia Legislativa, além de um projeto de lei preparado pela própria Secretaria do Meio Ambiente: “Cansamos de esperar por medidas do Governo Federal, que no ano passado criou a expectativa em torno da apreciação final de um grande projeto de lei nacional para os resíduos sólidos e que, no final, não foi apresentado”.

O secretário lembrou, ainda, do papel fundamental da educação ambiental para auxiliar na solução dos problemas do lixo e cobrou das prefeituras municipais o atraso na implantação de programas de coleta seletiva.

Situação melhora

O engenheiro Aruntho Savastano Neto, da Diretoria de Controle da Poluição Ambiental da CETESB, falou sobre o Inventário Estadual de Resíduos Sólidos Domiciliares que a agência ambiental elabora anualmente, desde 1997, e que mostra a situação dos locais de destinação final dos resíduos sólidos domiciliares em todo o Estado de São Paulo.

O representante da CETESB destacou a importância do levantamento permanente e sistemático dos dados sobre lixo doméstico, para subsidiar a formulação de políticas públicas relativas à questão. Lembrou, com base nas próprias informações disponíveis no inventário, que pode ser consultado pela internet no endereço www.cetesb.sp.gov.br, que a quantidade de resíduos dispostos adequadamente, no Estado de São Paulo, passou de 10,9%, em 1997, para 70,7%, em 2002.

Citou ainda que, com base nos dados do inventário, o FEHIDRO - Fundo Estadual de Recursos Hídricos por intermédio dos comitês de bacias hidrográficas, já alocou um total de R$ 9,8 milhões, desde 1997, para a elaboração de projetos e a implantação de aterros sanitários nos municípios. Procedeu também ao desembolso de R$ 1,5 milhão para o Programa de Aterros Sanitários em Valas, da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, igualmente para a elaboração de projetos e implantação de sistemas de disposição de resíduos domiciliares em municípios de pequeno porte.

Segundo Aruntho, cerca de R$ 52 milhões foram alocados pelo FECOP, um programa de financiamento administrado pela CETESB, a 465 municípios paulistas para a aquisição de caminhões compactadores, retroescavadeiras e pás- carregadeiras.

A engenheira Tânia Gasi, também da CETESB e coordenadora do Programa de Produção Mais Limpa, por sua vez, aproveitou o evento para estimular a população a praticar os conceitos que a CETESB tem aplicado junto a setores industriais, promovendo a mudança de paradigmas na produção de bens e serviços, de uma forma geral, com ênfase na eliminação e minimização de poluentes.

Gasi sugeriu técnicas básicas de P+L que podem e deveriam estar sendo aplicadas também nas residências de cada cidadão consciente: economia de água e energia elétrica, melhor especificação de equipamentos, redução da aquisição e consumo de embalagens, uso de embalagens retornáveis e diminuição de utilização de produtos tóxicos, como pesticidas.

Texto: Mário Senaga
Fotos: José Jorge