| 22|agosto|2003 |
O Brasil
já dispõe de recursos tecnológicos para a destinação
final adequada dos resíduos de PCBs (bifenilas policloradas), conhecido
como ascarel. O controle e fiscalização desses resíduos,
porém, constituem ainda um problema a ser equacionado. Este foi
um dos pontos destacados pelo engenheiro Ricardo Pires Castanho Valente,
diretor da Tecori – Tecnologia Ecológica de Reciclagem Industrial
Ltda., de São Paulo, em palestra no segundo dia do 4º Encontro
Técnico Anual da ASEC – Associação dos Engenheiros
da CETESB, que se encerra nesta quinta-feira (21/8).
Os PCBs possuem propriedades dielétricas (como resistividade e
rigidez) e capacidade calorífica elevada, tendo sido amplamente
aplicados no resfriamento de transformadores. Por outro, esses compostos
não são biodegradáveis e se acumulam em tecidos vegetais
e animais. Seus resíduos são tóxicos, com evidências
de serem carcinogênicos. Além disso, oferecem riscos por
causa de sua inflamabilidade. Por isso, em 1981, a fabricação
e comercialização dos PCBs foram proibidos no país
em 1981.
Mesmo assim, os ascaréis dos antigos transformadores continuam
em uso. Ricardo Valente cita estimativas que dão conta de que,
no Brasil, há cerca de 200 mil toneladas de resíduos de
ascarel e que apenas 1.500 a 2.000 toneladas, ou cerca de 1%, são
tratadas por ano. A Tecori é uma amostra das dimensões do
problema, pois essa empresa é a única que mantém,
em Pindamonhangaba, a única unidade de tratamento licenciada pela
CETESB.
Com base em seus 17 anos de experiência em incineração,
descontaminação e reciclagem de equipamentos elétricos
que utilizam o ascarel, Valente chama a atenção para o que
classifica como a “epidemia dos PCBs”. Como não há
análise ou controle da qualidade do óleo processado pelas
empresas regeneradoras de óleo isolante de transformadores, tem
ocorrido a contaminação nos próprios regeneradores
e daí reintroduzindo os ascaréis em todos os equipamentos.
Valente aproveitou o evento promovido pela ASEC para apresentar e divulgar
algumas propostas de ações para promover o adequado controle
e gerenciamento da destinação final dos resíduos
de PCBs: exigir rastreabilidade dos “recuperadores e sucateiros”
de transformadores, com controle e saída dos mesmos (análise
dos óleos); exigir atestados técnicos dos leiloeiros de
transformadores que comprovem não se tratar de transformador contaminado
com PCBs; legislação que determine a destinação
final dos transformadores e PCBs confinados em locais públicos;
e uma legislação federal para regulamentar os processos
de licenciamento ambiental das unidades de destinação final
de resíduos de PCBs.
Texto:
Mario Senaga
Fotos: José Jorge Neto
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