| 30|outubro|2003 |
O Programa
Estadual de Apoio às ONG's – PROAONG, da Secretaria do Meio
Ambiente, dentro da sua proposta de aprofundar os conhecimentos ambientais
dos membros das Organizações Não-Governamentais,
promoveu nesta quinta-feira (30/10) uma palestra com o jornalista Washington
Novaes, que abordou a problemática do lixo no Brasil e no Mundo.
A experiência do jornalista nessa questão vem de quatro vertentes.
Foi secretário do Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia do
Distrito Federal, época em que enfrentou uma série de dificuldades
para tentar implantar um sistema de coleta seletiva e reciclagem no município.
Trabalha há 50 anos como jornalista e realizou uma série
de documentários sobre o lixo, para a TV Cultura, denominada “Ciclo
do Lixo”, quando percorreu diversos países e cidades do Brasil.
Foi diretor do Instituto D. Fernando, em Goiânia, onde implantou,
entre outros projetos, uma cooperativa de coleta seletiva. Também
foi o responsável pela concepção do Plano Diretor
de Limpeza Urbana na cidade de Goiânia.
Após viver todas essas experiências, o jornalista chegou
à conclusão de que é muito difícil mexer com
o lixo, que constitui um dos temas mais polêmicos da área
ambiental, envolvendo muitos interesses financeiros e políticos,
o que dificulta a implantação de sistemas eficientes de
coleta e reciclagem, pelo menos no Brasil.
Quanto ao lixo no mundo, os números são assustadores. Entre
lixo domiciliar e comercial são produzidas, por dia, 2 milhões
de toneladas, o que equivale a 700 gr por habitante de áreas urbanas.
Só em Nova York, porém, são gerados 3 kg de lixo/dia
por pessoa, enquanto em São Paulo esse número chega a 1,5
kg/dia por pessoa. O Brasil produz de 125 a 130 mil toneladas/dia de lixo,
resultando em 45 milhões de toneladas por ano.
Analisando esses números, fica claro que o Brasil, que concentra
3% da população mundial, é responsável por
6,5% da produção de lixo no mundo. Fica evidente, conforme
Novaes, que estamos vivendo numa sociedade consumista e que gera muito
lixo, sendo que apenas 11% desse lixo vai para aterros adequados. Vale
ressaltar que nesses números não estão incluídos
o lixo industrial, hospitalar, rural e tecnológico.
Para o jornalista, a situação nacional só não
é pior porque temos uma “legião de heróis”
que são os catadores, que hoje já estão organizados
reivindicando o reconhecimento da profissão. "Se não
fossem eles já estaríamos numa situação dramática",
afirmou.
Europa
A
Europa está muito à frente do Brasil e a legislação
da União Européia é progressiva, sendo que o não
cumprimento significa advertências e punições. Na
Alemanha, a legislação responsabiliza os produtores de embalagem
por todo o ciclo do produto, a coleta seletiva é obrigatória
em todo o país e o gerador de entulho paga pelo recolhimento e
reciclagem.
Na Suécia, a proposta é a eliminação da coleta
domiciliar, com a instalação de postos públicos para
receber o lixo levado pelos cidadãos. Esse é o único
país onde existe reciclagem de veículos, cujos proprietários,
já na compra, pagam uma taxa de reciclagem. O último usuário
do veículo, ao decidir levá-lo para a reciclagem, recebe
de volta a taxa paga na compra, com o rendimento acumulado no período.
Já na Noruega, que tem um território muito pequeno e exporta
o seu lixo para a Suécia, o próprio rei faz a compostagem
do material orgânico dentro da sua propriedade, que fica aberta
à visitação pública.
Exemplos de criatividade e experiências bem-sucedidas são
inúmeros, porém, o drama da depredação ambiental
é crescente.
Novaes ressaltou que "os padrões de produção
e consumo no mundo, hoje, estão 20% acima da capacidade de reposição
da biosfera, isso porque existe mais de 1 bilhão de pessoas passando
fome”. Se essas pessoas saírem da linha da miséria
serão necessários mais dois ou três planetas para
atender às necessidade de extração dos recursos naturais,
segundo alertou o jornalista.
Fotos:
Pedro Calado |


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