Situação ambiental
do Planeta melhorou, diz relatório
O Globo - 11/01/2003
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Joao Wagner Silva Alves
Gerente da DDQ - Divisão de Questões Globais da CETESB Mestre em Energia pela USP

Análise de ONG americana revela que produção de gases que destroem a camada de ozônio diminuiu 81%.

WASHINGTON. Num tom atipicamente otimista, o relatório anual da ONG americana Instituto Worldwatch, lançado ontem, constata que a situação ambiental do planeta melhorou muito ao longo dos anos 90. A redução da produção de gases responsáveis pela destruição da camada de ozônio, os recentes avanços no combate a doenças contagiosas e o aumento do uso de energia renovável estão entre as boas notícias listadas no “Estado do Mundo 2003”.

Na avaliação do presidente do Worldwatch, Christopher Flavin, uma revolução ambiental está em curso, resultado da ação conjunta de governantes e da sociedade civil organizada, e, em breve, poderá direcionar as economias do mundo para um caminho mais sustentável de desenvolvimento.

- A criação de um mundo no qual possamos atender a nossas próprias necessidades sem negar às gerações futuras uma sociedade sadia não é impossível, como afirmam alguns - disse Flavin.

De acordo com o relatório, a produção de clorofluorcarbonetos (CFCs) foi reduzida em 81% ao longo dos anos 90, o que resultou num declínio significativo da destruição da camada de ozônio. Estima-se que, em breve, o buraco na camada de ozônio começará a diminuir.

Uso de energia renovável aumentou 30% ao ano

O relatório mostrou também que o uso de energia solar e eólica cresceu mais de 30% ao ano em países como Alemanha, Japão e Espanha, graças a políticas de incentivo a seu uso. Em contrapartida, o uso de combustíveis fósseis aumentou apenas de 1% a 2% anualmente.

No campo da erradicação de doenças infecciosas, o relatório cita como bom exemplo a significativa redução da poliomielite: o número de casos caiu de 350 mil em 1988 para 480 em 2001. Mas o relatório também traz más notícias. A malária continua no posto de uma das maiores assassinas do mundo, matando sete mil pessoas diariamente.

Mais de cinco mil crianças morrem por dia de doenças ligadas a poluição do ar, da água e dos alimentos.

O documento mostra que a natureza continua bastante ameaçada. A taxa global de degelo mais que duplicou desde 1988 e, a continuar nesse ritmo, poderá elevar o nível dos mares em 27 centímetros até 2100. As extinções de aves são 50 vezes mais numerosas do que o natural devido à perda de habitats.

- Testemunhamos freqüentemente na história da Humanidade a capacidade de as sociedades aprenderem rapidamente com a experiência e então agirem - afirmou o diretor de projeto do relatório, Gary Gardner. - O interesse crescente na sustentabilidade poderá proporcionar a energia necessária para impulsionar inovações em escala global. (O Globo)


A afirmação feita no relatório anual do Instituto Worldwatch de que "a situação ambiental do planeta melhorou muito ao longo dos anos 90", pode ser complementada pela que é feita no Relatório da Secretaria do Meio Ambiente (SMA) do Governo no seu Relatório Agenda 21 in São Paulo "Há progressos em várias áreas, mas fica claro o imenso trabalho a realizar".

Indicadores de qualidade de vida da população brasileira indicam progressos, como, por exemplo o índice de Desenvolvimento Humano (IDH) que passou de 0,69 em 1990 para 0,75 em 1998.

Na contramão da tendência mundial descrita no relatório do Instituto Worldwacth e sem perder de vista que o Brasil ainda é um dos países que mais emprega fontes de energia renovável no mundo, observa-se o crescimento da ordem de 40% da produção de energia primária nacional na década de 90, se deu com a redução da participação das fontes renováveis de 62 para 47% na matriz nacional.

O Protocolo de Quioto adotado em 97 foi ratificado pelo Governo Brasileiro em julho de 2002. É neste acordo, que visa a estabilização das emissões de gases de efeito estufa, que está definido o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, onde países desenvolvidos poderão adquirir reduções certificadas de carbono (RCC). Essa ratificação, pelo Governo Brasileiro, deu fôlego a inúmeros projetos de reflorestamento e de uso de fontes de energia renovável, como o uso de energia eólica, solar e biomassa.

Com relação à Proteção à Camada de Ozônio, o MMA relata que em 1993 o consumo no Brasil dos CFCs 11 e 12 superava as 8.000t por ano. Hoje, pode-se afirmar que a produção dessas substâncias destruidoras do ozônio (SDOs), como um todo, pode ser considerada praticamente eliminada.

Das SDOs, a única exceção é o Tetracloreto de Carbono, que habitualmente é usado como solvente na indústria, e tem data limite de fabricação definida para 2010. Esta substância ainda é produzida no Brasil pela Dow Química, são 3500t por ano, das quais 3200t são exportadas e apenas 300t são consumidas no Brasil para a fabricação de PVC em uma fabrica no Rio Grande do Sul, em um processo onde não ocorrem emissões para a atmosfera.

A produção de refrigeradores, aparelhos de ar condicionado e a fabricação de espumas e aerossóis, que ocorrem atualmente no Brasil está de acordo com o cronograma de banimento das SDOs definido pelo Protocolo de Montreal. A Resolução CONAMA 267 que prevê a eliminação das importações dessas substâncias definiu que no ano de 2007 tais importações estarão proibidas.