Recuperação de mata ciliar, em Sumaré,
começa com o plantio de 30 mil mudas


18|julho|2003   O Programa de Recuperação de Matas Ciliares, lançado pela Secretaria do Meio Ambiente do Estado – SMA na terça-feira (17/6), vai começar com um projeto-piloto que prevê o plantio de 30 mil mudas em uma área de 15 hectares nas margens da Represa do Horto, em Sumaré.

O programa foi apresentado pelo secretário do Meio Ambiente, professor José Goldemberg, que destacou a necessidade de se recuperar cerca de um milhão de hectares de áreas ciliares, em todo o Estado. “A mata ciliar, explicou, protege os corpos d’água do assoreamento e do aporte de poluentes, além de constituir uma barreira natural contra a disseminação de pragas da agricultura.
 

A solenidade de lançamento do programa contou com a presença do secretário da Agricultura e Abastecimento, Duarte Nogueira, e do prefeito Antonio Dirceu Dalben, de Sumaré, além de representantes dos órgãos que também participam dessa iniciativa, como a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral – CATI, que desevolve o Programa Estadual de Microbacias Hidrográficas, Fundação Florestal, que vai gerir os recursos, Instituto Florestal, que forneceu parte das
 

sementes, e Instituto de Botânica, que desenvolveu estudos científicos sobre matas ciliares.

O programa foi proposto em função do processo histórico de degradação que os remanescentes de mata ciliar estão submetidos. O projeto-piloto prevê o plantio de 30 mil mudas de 89 espécies arbóreas diferentes, das quais 13 estão ameaçadas de extinção, seguindo o modelo da Resolução SMA 21 de 21/11/2001, baseada nas pesquisas sobre modelos de repovoamento vegetal para recuperação dos sistemas hídricos, coordenadas pelo Instituto de Botânica.

 
O projeto será custeado com recursos provenientes da compensação ambiental das obras de prolongamento da Rodovia dos Bandeirantes, envolvendo a mão-de-obra dos agricultores e assentados da região que farão o plantio e a manutenção da área. Além de um rendimento extra, os pequenos lavradores da região serão beneficiados, pois, além da melhoria das condições ambientais do local em que vivem, terão a oportunidade de freqüentar cursos técnicos gratuitos para atuarem em

 

ações de recuperação florestal, produzindo mudas e efetuando o plantio e manutenção das áreas.

“A recuperação das matas ciliares no Estado, além de proteger a água e a biodiversidade, vai promover a absorção de 10% do carbono emitido no Brasil”, afirmou o secretario do Meio Ambiente, José Goldenberg, que vê a possibilidade de comercializar os créditos conforme previsto no Protocolo de Kyoto, arrecadando recursos para o próprio programa.

Texto: Carolina De Leon
Fotos:José Jorge Neto


  Recursos serão administrados pela Fundação Florestal
 

A Fundação Florestal, órgão da Secretaria do Meio Ambiente do Estado, foi encarregada da administração dos recursos para a implementação do projeto-piloto que prevê o plantio de 30 mil mudas de espécies arbóreas nativas em área de 15 hectares na margem da Represa do Horto, na Microbacia do Córrego Taquara Branca, em Sumaré, onde é feita a captação de parte da água que abastece o município.

Os recursos, que serão aplicados na contratação dos serviços de plantio e manutenção da área, são proveniente da compensação ambiental das obras de prolongamento da Rodovia dos Bandeirantes. A Microbacia do Córrego Taquara Branca foi considerada prioritária para a recomposição de matas ciliares, na região, segundo estudos desenvolvidos por um grupo de trabalho coordenado pela Fundação Florestal e que conta com representantes do Instituto Florestal, Polícia Militar Ambiental e Departamento Estadual de Proteção de Recursos Naturais.

Durante a solenidade de lançamento do projeto, o prefeito de Sumaré, Antônio Dirceu Dalben, assinou um Termo de Responsabilidade assumindo, perante a Fundação Florestal, o compromisso de preservar a vegetação implantada na área. O documento foi subscrito pela diretora-executiva da Fundação Florestal, Antonia Pereira de Avila Vio, que também assinou um Protocolo de Intenções, firmado pela prefeitura, Secretaria do Meio Ambiente do Estado Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo - ITESP.

Texto: Eduardo Pereira Lustosa