Instituto Florestal discute co-gestão
de parques estaduais com ONGs


 

5|maio|2003

O Instituto Florestal, órgão da Secretaria Estadual do Meio Ambiente - SMA, realizou nesta segunda-feira (5/5) o 1º Seminário Internacional "Construindo um Modelo de Co-gestão de Unidades de Conservação no Estado de São Paulo". O objetivo do encontro, segundo o secretário do Meio ambiente, professor José Goldemberg, foi o de colher sugestões e informações para a elaboração de um modelo de gerenciamento para os parques estaduais paulistas, envolvendo o Governo do Estado e a entidades da sociedade civil.

 

Cláudio Vallares Pádua, do Instituto de Pesquisas Ecológicas – IPÊ, destacou que "não queremos privatizar os parques, mas trabalhar de forma legal e receber do Estado a incumbência de co-gerir as unidades de conservação". Já Maurício Mercadante, da Secretaria de Biodiversidade e Florestas, do Ministério do Meio Ambiente, disse que é preciso
  eliminar as barreiras para que as idéias de co-gestão se realizem, para que as áreas protegidas possam ser gerenciadas por entidades não-governamentais. "Esse é um assunto que interessa à sociedade e, para isso, precisamos de grupos preparados e empolgados para a tarefa", salientou.
 
O programa do seminário incluiu depoimentos de administradores de parques de todo o país, que fizeram um relato de suas experiências na prestação de serviços e atendimento ao público. Um dos expositores foi Júlio Gonchorosky, do Parque Nacional de Iguaçu, em Foz do Iguaçu, no Paraná, que mostrou as melhorias resultantes da terceirização dos serviços prestados ao público, por meio de concessões.
 
Outro administrador de parque foi César Vitor do Espírito Santo, do Parque Nacional Grande Sertão Veredas, situado no norte de Minas Gerais e parte do Estado da Bahia, que falou sobre captação de recursos e sua aplicação na melhoria das unidades de conservação. Na sua opinião, "é preciso que o parque tenha um plano de manejo e um plano de ações emergenciais, além de definir os critérios para a seleção dos parceiros interessados".

 


Oscar Manuel Nuñez Saravia, da Defensores de La Naturaleza, da Guatemala, defendeu o modelo de co-gestão envolvendo governos e organizações sem fins lucrativos, num sistema que incorpore os moradores nativos na gestão das 391 áreas protegidas existentes nos países da América Central. Paul Haertel, que há quarenta anos administra o Arcadia National Park Maine, nos Estados Unidos, diz que a gestão compartilhada de parques exige leis claras, suporte governamental, projetos definidos e programas voluntários.

Texto: Renata Egydio
Fotos: José Jorge Neto