Pesquisadores discutem recuperação
de áreas degradadas, em Ilha Comprida


 

16|abril|2003

Mais de 300 pessoas participaram das discussões e das atividades do Seminário Regional sobre Recuperação de Áreas Degradadas: Conservação e Manejo de Formações Florestais Litorâneas, organizado pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente, por intermédio do Instituto de Botânica - IBt, em Ilha Comprida, no Litoral Sul.

O encontro, que teve o apoio da Prefeitura de Ilha Comprida, ocorreu nos dias 12 e 13 de abril, no Espaço Cultural Plínio Marcos nesse município, com a participação de pesquisadores, estudantes e representantes de universidades, órgãos públicos e organizações não-governamentais.

Os participantes assistiram, inicialmente, a um curso de capacitação técnica sobre recuperação de áreas degradadas, produção de sementes e mudas, educação ambiental e manejo de manguezais e restingas. No domingo, tiveram atividades práticas com o professor Pablo Garcia Carrasco, em visitas a projetos-piloto desenvolvidos em Ilha Comprida, também com o apoio da FAPESP, para a recuperação ambiental.

Durante do seminário, pesquisadores do Instituto de Botânica apresentaram algumas conclusões do

projeto "Repovoamento Vegetal com Árvores Nativas", desenvolvido com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo - FAPESP, seguindo-se debates sobre experiências e alternativas auto-sustentáveis para a região.

A mesa-redonda direcionada à região contou com a participação de Décio José Ventura, prefeito de Ilha Comprida, Luiz Mauro Barbosa, diretor-geral do Instituto de Botânica, Ricardo Ribeiro Rodrigues, da Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiróz - ESALQ, Wilson Almeida Lima, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA, e Márcio José Lucio, do escritório do Departamento Estadual de Proteção dos Recursos Naturais - DEPRN em Iguape, entre outros.

Segundo Décio José Ventura, Ilha Comprida, que se emancipou em 1993 e se encontra localizada numa Área de Preservação Ambiental - APA, encontra dificuldades para a gestão do território municipal em virtude das restrições legais. Por esse motivo, junto com a comunidade local, tem buscado soluções alternativas para a geração de emprego e renda para a população.

Com esse objetivo, está desenvolvendo doze projetos como viveiro para produção de mudas destinadas à recuperação de áreas degradadas na

ilha, possibilitando um rendimento extra com a comercialização das plantas excedentes. Outras iniciativas mencionadas pelo prefeito são a criação induzida de robalos em tanques-rede no mar, clonagem de bromélias nativas para produção de mudas, plano de manejo da taboa para artesanato, processamento de siri por ocasião da ecdise, quando o crustáceo troca a casca, análise do potencial das ervas medicinais da ilha e o uso de "sphagnum", uma espécie de musgo de ocorrência em áreas úmidas de Mata Atlântica, como bioindicador de poluição.

Texto e fotos: Carolina De Leon