Proposta brasileira para a Rio+10:
maior consumo de energias renováveis


 

16|maio|2002

"O lugar onde mais se usa energia renovável é na América Latina", disse o secretário estadual do Meio Ambiente, professor José Goldemberg, ao apresentar a proposta brasileira na área de energia que será levada para a Rio+10, que se realizará em Johannesburgo, na África do Sul, no segundo semestre deste ano.
A proposta de Goldemberg foi apresentada na VII Reunião do Comitê Intersessional do Foro de Ministros de Meio Ambiente da América Latina e Caribe, iniciada na
quarta-feira (15/5) no Memorial da América Latina, com encerramento previsto para esta sexta-feira (17/5).

 

"A proposta brasileira é de que, não só a Comunidade Européia, mas também outros países aumentem o consumo de energias renováveis, atenuando não só o problema do clima mas muitos outros, e possam fazer parcerias, trocando cotas de suprimentos renováveis com outros países", explicou o secretário.

Segundo dados de 1998, citados por Goldemberg, 80% da energia utilizada no mundo são combustíveis não-renováveis (óleo

  35%, gás 21% e carvão 23%) e os 20% restantes são energia nuclear (6,5%), utilizada principalmente nos países ricos; energia de hidrelétricas, que representa aproximadamente 2,2%; e a biomassa tradicional utilizada na África (9,9%), produzida por meio de tecnologias muito primitivas.

As novas energias renováveis que se espera que sejam utilizadas mais intensivamente são a biomassa produzida por meio de tecnologias modernas, como o álcool e a energia eólica, que hoje representam 2,2% do consumo mundial. "A expectativa na Cúpula Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável é de que o consumo de energia renovável seja de 10%, em 2010", disse o professor Goldemberg.

Tal expectativa, de que ocorra o aumento na utilização de energia renovável no mundo, baseia-se na diversificação de fontes de suprimento; suprimento garantido
por longo prazo de duração; redução de emissões que afetam o meio ambiente a nível local, regional e global; descentralização na geração de empregos, incentivando a permanência da população na zona rural e evitando a migração para os grandes centros, especialmente na América Latina; e a segurança no deslocamento dos suprimentos energéticos, através de sistemas transnacionais compartilhados.

"Acredito que teremos, nos próximos anos, a interligação dos sistemas elétricos de vários países da América Latina, como já temos com o Brasil e o Paraguai. Já existem, em estado avançado, operações para a interligação também com a Venezuela e Uruguai", antevê Goldemberg.

Texto:Renata Egydio
Fotos: José Jorge