Parque Estadual Caverna do Diabo

Em 2008, por meio da lei 12.810 de 21 de fevereiro, o Parque Estadual do Jacupiranga (PEJ) foi transformado no Mosaico de Unidades de Conservação do Jacupiranga. O antigo parque foi subdividido em três parques estaduais: Parque Estadual Caverna do Diabo; Parque Estadual do Rio Turvo; e Parque Estadual do Lagamar de Cananéia. Além dos parques, novas unidades de conservação foram criadas, formando o Mosaico de Unidades de Conservação, a saber: cinco Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS), quatro Áreas de Proteção Ambiental (APA), duas Reservas Extrativistas (Resex) e duas Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN), totalizando assim 243.885,15 ha.

A maior parte do Mosaico está associado à Bacia do Rio Ribeira de Iguape, principalmente pela contribuição às bacias dos afluentes dos rios Turvo, Batatal e Jacupiranga. A densidade da rede de drenagem é muito alta, e o aporte de água por precipitação é grande, o que caracteriza a área como importante manancial.
A Baixada Litorânea apresenta seus rios desaguando diretamente na região lagunar, que forma o Complexo Lagunar Iguape-Cananéia Paranaguá. Os principais rios nessa região são o Ipiranguinha, o Rio das Minas e o Taquarí.

O Mosaico do Jacupiranga está localizado na Província Espeleológica do Vale do Ribeira, região que conta com grande densidade de cavernas de médio porte, com desenvolvimento tanto horizontal quanto vertical. Situa-se entre os domínios Tropical Atlântico e Planalto das Araucárias, com um conjunto de feições cársticas.

O cadastro de cavidades naturais (CCPE/SBE apud SOS Mata Atlântica 1993) registra 6 grutas na área do Mosaico, no entanto possivelmente mais de uma dezena de outras pequenas cavidades e outras com potencial turístico ocorram além destas. A gruta mais importante e conhecida é da Tapagem (ou Caverna do Diabo), que recebe visitação regular a mais de trinta anos e apresenta estruturas e iluminação que facilitam a entrada do turista comum.

Descoberta em 1896 por Ricardo Krone, esta gruta situa-se na Serra de André Lopes e corresponde ao trecho subterrâneo do Rio das Ostras numa extensão superior a 5 km e é dividida em três trechos: Gruta da Tapagem, Gruta das Ostras e Galerias de Ligação.

Além desta lente principal existem outras pequenas áreas calcárias no interior do mosaico, em especial na área conhecida como Capelinha, no município de Cajatí. Nesta área existe, inclusive, uma gruta com grande potencial turístico.

O Mosaico do Jacupiranga está localizado nos limites da distribuição de florestas ombrófilas mistas, florestas estas que vão sendo substituídas por florestas ombrófilas típicas de mata atlântica, existindo ainda áreas com araucária no seu interior. O gradiente altitudinal também é marcante, saindo da planície costeira a uma altitude de cerca de 10 metros até o topo da Serra do Cadeado a 1.310 metros.

Nas florestas ombrófilas originalmente o palmito (Euterpe edulis) era encontrado em altas densidades. A ação contínua de palmiteiros clandestinos vem reduzindo drasticamente a ocorrência desta espécie na área do mosaico.

São encontrados ainda no Mosaico tipos especiais de floresta, como aquelas que se desenvolvem sobre calcário e florestas baixa de restinga (jundú). Vegetação aberta ocorre principalmente em topos de morro, geralmente sobre finas camadas de solo ou diretamente sobre a rocha. Estas comunidades especiais podem apresentar casos de endemismos e são mal conhecidas, principalmente aquelas das serras mais altas (Cadeado e Virgem Maria).

Das espécies da fauna, são destacadas as que se encontram ameaçadas de extinção, devido à perda de habitat ou à caça, e por serem espécies raras ou endêmicas da área: Mono-carvoeiro ou muriqui (Brachyteles arachnoides), – ameaçado principalmente devido à perda e à fragmentação de habitats, Mico-leão-caiçara ou mico-leão-da-cara-preta (Leontopithecus caissara) – ameaçado devido à perda de habitat e à caça, Onça pintada (Panthera onca) – ameaçada devido principalmente à perda de habitat e à caça, Papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea) – ameaçado principalmente devido à perda de hábitat, também é alvo de caça e comércio ilegal, Papagaio-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis) – ameaçado devido à caça, comércio e principalmente à perda de hábitat., Sabiá-cica (Triclaria malachitacea) – ameaçada de extinção devido à caça, à perda de habitat e ao extrativismo de palmito, Pica-pau-de-cara-amarela (Dryocopus galeatus) – espécie rara, com pouquíssimos registros recentes de ocorrência, que parece ser especialista de habitats e provavelmente necessita de grandes áreas florestadas para sobreviver.

Fonte: RAMOS NETO, M. B. 1999. Parque Estadual Jacupiranga – Documentos Básicos para o Plano de Manejo.