Educação como estratégias para conservação da biodiversidade: gestão participativa no entorno Parque Estadual das Fontes do Ipiranga (PEFI)

Tania Maria Cerati

Há um crescente reconhecimento por parte de cientistas, governos e comunidades da importância da implantação de gestão participativa em Unidades de Conservação (UCs) e áreas protegidas. Esse modelo é incentivado pela Convenção das Nações Unidas sobre a Diversidade Biológica, que reconheceu a importância de envolver as comunidades locais na formulação e implementação de ações para conservação da biodiversidade, bem como a necessidade de educação, tendo em vista o uso sustentável e a gestão dos recursos naturais. Dessa forma, é essencial que os projetos ambientais incluam estratégias para engajar a comunidade no processo de gestão.

Um modelo pioneiro de gestão participativa em parque urbano foi implantado em uma área do Parque Estadual das Fontes do Ipiranga (PEFI), caracterizada pela densa urbanização que desencadeia inúmeros conflitos e problemas ambientais que comprometem a conservação da biodiversidade, como: descarte inadequado de lixo e entulho em áreas de mata, que levam à contaminação dos solos e cursos d’água; caça de animais silvestres; coleta de plantas nativas; fogo na mata e invasões.

Entendendo que educação ambiental promove a transformação social inspirada no diálogo, no exercício da cidadania, no fortalecimento dos sujeitos e criação de espaços coletivos de atuação, este modelo de gestão, fundamentado na metodologia da pesquisa-ação, criou um Conselho composto por moradores, lideranças comunitárias, representantes das Secretarias Municipais de Educação e Segurança, um deputado, um vereador e técnicos do Instituto de Botânica. Em reuniões mensais este conselho efetivou diversas ações, como:

  • Substituição do muro por gradil e construção de uma calçada ecológica com pista de caminhada;
  • Gestão das obras mencionadas com interferência no projeto inicial para a inclusão de recuos na calçada para lazer;
  • Mutirão para o plantio de 120 mudas de jerivás (Syagrus romanzoffiana (Cham.) Glassman), palmeira nativa da mata atlântica, ao longo da calçada;
  • Ações de conscientização sobre o descarte de lixo e entulho;
  • Apoio da comunidade à vigilância do PEFI;
  • Ações educativas com crianças do programa Escola da Família.

O processo de gestão com ênfase na educação promoveu a transformação das percepções inicias dos atores envolvidos sobre a importância da conservação da biodiversidade do PEFI e desenvolveu uma visão mais complexa e crítica sobre os problemas locais e suas possíveis soluções.

O aprendizado gerado pelo processo de gestão permitiu aos moradores a compreensão de sua responsabilidade social. Individualmente os moradores passaram a atuar como agentes de preservação, monitorando e denunciando o descarte de lixo e entulho e as ações ilegais que ocorriam no Parque, como a caça e ações criminosas.

Nas figuras abaixo é possível visualizar o entorno do PEFI antes e depois do processo de gestão participativa.

Limite do PEFI antes do início do processo de gestão
Limite do PEFI antes do início do processo de gestão
Visão geral da área após a revitalização
Visão geral da área após a revitalização
Visão geral da área após a revitalização
Visão geral da área após a revitalização